sábado, 25 de junho de 2011

India - Delhi

O avião chegou pouco depois das 2 da manha na India. Ate passarmos pela imigração, que levou um pouco de tempo, pegarmos as malas e sairmos era umas 3 da manha. E tinhamos que pegar o metro ate o centro de Delhi, que só começava a rodar de manha, as 6. Então resolvemos sentar e esperar no aeroporto, pegamos umas cadeiras de um cafe, encostamos na parede e tentamos dar uns cochilos ate de manha. Tinha tv ligada, passando notícias de uma rebelião que tinha acontecido durante a noite em Delhi. Que conveniente neh ?!?
Pegamos o metro quando amanheceu e fomos pro bairro Pahar Ganj, o centro dos mochileiros em Delhi. Saímos do metro, entramos na estação de trem, que era bem grande, e enquanto atravessávamos ate o outro lado, já tivemos uma idéia de como seria do lado de fora: Extremamente cheio de gente, sujo, fedido e muito quente!!! Ao sair da estação já chegamos na rua que procurávamos e foi exatamente aquilo que encontramos. Nós, por sermos brasileiros já estamos acostumados e ver lugares pobres, feios, sujos e muito lixo no chão, porém tivemos um choque ao ver as ruas daquela região. Pra se ter uma idéia, não tivemos coragem pra andar de chinelos na rua, com medo de machucar o pé ou pegar uma doença no lixo que cobre as ruas do lugar. Também vimos pelas ruas as vacas "sagradas" da India. Elas vagam pelas ruas e ninguém as incomoda, alguns ate deixam água pra elas beberem na porta de suas lojas. No Brasil temos muitos cachorros de rua que comem os lixos por ai, lá o que vimos foram as vacas "sagradas" comendo lixo que o povo joga nas ruas. Imagina se elas não fossem sagradas !!!
Bom, depois do choque inicial, chegamos ao Hare Krishna Hotel. Pegamos um quarto e já fomos logo capotando porque não tínhamos dormido nada durante a noite. E dormimos ate por volta da 13:00.
Depois do almoço fomos andando ate o Connaught Place, uma área da cidade que cresceu durante o domínio britânico na India. A praça no centro tem vários chafarizes e os prédios ao redor da praça redonda tem arquitetura britânica com vários arcos, bem diferente do resto da cidade. E apesar de ter revista e raio-x na entrada do parque e nao poder tirar fotos, ate que é um parque interessante de se visitar. Pelo menos é limpo e tranquilo. Depois da caminhada de volta num calor de 40 graus com o ar super seco, chegamos prontos pra tomar um banho, jantar e dormir !!

Depois de café, fomos pra estação de trem comprar a passagens. Compramos as passagens pra única categoria disponível. Povão, sem ar-condicionado. Já viu neh ?!?
Pelo menos foi fácil pra comprar porque o centro de informações ao turista é bem mais eficiente e rápido do que qualquer outro balcão de informação que encontramos no pais. E tem ar-condicionado !!!
Depois fomos para o Forte Vermelho, um dos pontos turísticos da capital indiana. Ficamos surpresos que o preço do rickshaw (tuk-tuk) foi fácil de ser combinado e quando chegamos no portão do forte entendemos o porque! Era segunda feira e o forte estava fechado!! Como já tínhamos perdido a viagem, decidimos andar um pouco pra conhecer a região ate chegarmos na estação de metro pra voltarmos pro Hare Krishna.
Na caminhada, vimos templos, casas, comércios, muita gente local e uma fração do que realmente é a vida em Delhi. Foi muito interessante!! De volta no hotel, arrumamos as malas da viagem do dia seguinte.

Saímos cedo do hotel, e fomos ver o India Gate (Portal da India). Estava bem quente e estávamos com as malas nas costas, mas mesmo assim conseguimos aproveitar um pouco e tirar umas fotos. Ate tiramos foto de uma família indiana a pedido de uma menininha, que ficou muito feliz em ver a foto na tela da máquina.

Almoçamos ali perto no Connaught Place e ficamos enrolando ate a hora do trem e durante esse tempo, conversamos com 4 pessoas sobre nossa viagem no pais. Ouvimos umas dicas e decidimos ir mais cedo pra estação de trem pra comprarmos as passagens pros outros trens que pegaríamos para outras cidades depois. E foi isso que fizemos e depois de comprar as passagens, fomos tentar descobrir onde era nossa plataforma pra pegar o trem. Parece uma tarefa fácil, mas que levou quase uma hora, o que fez com que chegássemos no trem 5 minutos antes da partida, que fez uma grande diferença.
Entramos no vagão, achamos nossa "cabine", que tinha lugar pra 6 pessoas, uma triliche de cada lado. Como ainda estava de dia, as duas camas de baixo nao estavam armadas, da do lugar para um banco. Que seriam pra duas pessoas, já que a cama de cima já estava pronta. Depois de mais de dois meses viajando no sudeste asiático, quase sempre de trem, já sabíamos como isso funcionava. Mas não sabíamos como as coisas funcionavam na India!!
Entramos e vimos 4 pessoas num banco de um lado e 3 pessoas do outro, e que contando com a gente seriam 9 pessoas num espaço para 6 !!!! Depois de 10 minutos tentando explicar pro povo que aquele era nosso lugar, decidimos simplesmente ir para as camas de cima, que estavam cheias de malas. Jogamos tudo no chão e ficamos por lá o resto da viagem, 12 horas ate a manha seguinte!!
Já tinhamos pego trens ruins antes mas nada se comparava aquele trem de Delhi. Era muito quente, alguns dos ventiladores estavam quebrados, tudo era sujo tanto que nem tivemos coragem de ir no banheiro, as camas eram tábuas forradas com colchonetes e os poucos turistas que tambem estavam lá, nao estavam perto da gente, que pareciam ser as únicas pessoas por lá que falavam inglês. O trem era lento, o barulho era bem alto e os ambulantes nao paravam de passar gritando "Chai, Chai, Chai"!!!
Da janela do trem quando vimos escrito "Varanasi" na estação não sabíamos se ficávamos tristes ou felizes por chegar lá...


Renner & Ane Gimenes
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quinta-feira, 23 de junho de 2011

China e Macau

Pegamos o trem com destino a Nan Ning, na China, na nossa ultima noite no Vietnam. O trem nao era nada mal, eram cabines pra 4 pessoas, e dessa vez quisemos ter um pouco de conforto e pagamos um pouquinho mais caro pra ficar nas camas de baixo. A viagem foi tranqüila, sem contar as duas vezes que tivemos que descer do trem no meio da noite. A primeira vez, por volta das 2 AM pra carimbar a saída do Vietnam, e uma hora depois, quando estavamos quase pegando no sono, tivemos q descer com toda a bagagem pra passar por um raio-x, que por sinal, tava desligado! Tudo bem, pelo menos voltamos logo pro trem e consegimos dormir ate chegar em Nan Ning, algumas horas depois.
Assim que chegamos fomos procurar um banco pra trocar dinheiro, e nos lembramos como era difícil achar quem falasse inglês na China! Depois de andar um tempo conseguimos trocar o dinheiro no Banco da China, e ai voltamos pra estação pra tentar descobrir onde comprar a passagem pra Guangzhou, de onde pegaríamos um ônibus pra Macau. Fomos umas 3 vezes no balcão de informações, que era a unica coisa escrita em inglês, perguntar sobre o trem. O atendente nao falava ingles e nos nao falamos chines, então imagina como foi fácil pra termos uma informação correta!! Ate tradutor do aplicativo de celular ele usou. Acabamos voltando varias vezes pra reconfirmar o que ele tinha falado antes e perguntar mais coisa que faltou perguntar. Que saudade do "i Site" da NZ (centro de informações turísticas) tao fácil e eficiente!! Enfim consegimos descobrir que a fila pra comprar a passagem era mesmo aquela quilométrica do lado de fora. Depois de mais de uma hora na fila só conseguimos comprar lugares ruins, as camas superiores da treliche. Pelo menos tinha vaga nos vagões com camas, melhor que ir 12 hrs sentados!
Almoçamos uma sopinha de macarrão estranha e fomos pra sala de espera aguardar o trem que saia as 7 da noite. Enquanto isso ficamos achando graça de como eles olhavam pra gente como se fossemos ETs, porque como a cidade nao é nada turística eles raramente vêem estrangeiros. E nós reparávamos na falta de educação deles, cuspindo no chão, jogando lixo e gritando com os outros!
Finalmente chegou a hora de entrar no trem , que nao era tao bom quanto o anterior mas nao era tao ruim assim. Pelo menos tinha umas cadeirinhas com mesa onde ficamos um bom tempo sentados conversando, já que nas nossas camas nao dava pra ficar sentados pq era muito perto do teto. Então dormimos ate que bem pra segunda noite de trem e de manha chegamos em Guangzhou. E começamos tudo de novo. Procuramos onde pegava ônibus pra Macau. Tambem nao tinha muita gente que falava inglês, mas conseguimos achar um balcão de informações que tinha uma mulher que falava. Ela nos instruiu a pegar metro que era ali mesmo e depois um ônibus que saia da frente de um hotel. Pra nossa alegria nao só o metro de Beijing mas do resto da China tambem funciona muito bem e é bem fácil de usar, então em alguns minutos estávamos na frente do tal hotel entrando no ônibus pra Macau. Ficamos vendo a cidade pela janela do ônibus e achamos engraçado como essa cidade era grande e moderna, com vários shoppings e hotéis de luxo dignos de uma capital, ate que era bonita. Enquanto Beijing, que tambem tem isso aparenta tao mais velha e mal cuidada. Acho que é o preço de ser uma terra milenar.
A viagem ate a fronteira com Macau levou 3 horas num ônibus super confortável, com vários chineses cheios da grana indo gasta-lá nos cassinos. Só tinha nos dois de estrangeiros, mochileiros, pobres e sem banho a dois dias!!!!
Quando o ônibus chegou no destino ficamos meio perdidos pq parecia uma rodoviária subterranea, e tava tudo em Chines. Achamos um caminho que nos levou pra dentro de um shopping e aproveitamos pra tomar um café-almoço por lá. Então fomos pra imigração, no andar de cima, recebemos o carimbo de saída da China e já começamos a ver varias coisas escritas em Português. Foi estranho preencher um formulário de entrada no pais q tinha o texto em chines, português e inglês. Assim que saímos da área da imigração já vimos uma placa bem grande dizendo "Benvindo a Macau" e dai em diante todas as placas eram escritas em Português e Chines, devido a colonização portuguesa da região. Já dava pra notar a diferenca da China continental e de Hong Kong, que como Macau é regiao especial chinesa. Alguns prédios eram estilo europeu e algumas pracinhas e monumentos lembravam muito Lisboa! Estava tudo muito bonito, mas tinhamos que achar acomodação e barata, o que é mais difícil por lá. Hotel 5 estrelas é que nao faltava, com seus cassinos gigantescos cheios de neon! Depois de muito camelar achamos um quarto num apartamento que improvisou uma guesthouse, que tava caro pelo custo-beneficio, mas foi o mais barato e feio que pudemos encontrar! E depois de 2 dias sem banho, dormindo em trem, aquele banheirinho mofado e travesseiro duro estavam ótimos!!
Depois de limpos e trocados fomos conhecer o centro. Parecia que estávamos em Lisboa, a praça central com a fonte era completamente portuguesa e os prédios em volta da praça todos estilo português. Mas ao mesmo tempo tinha placas escritas em chinês e algumas coisas que nos lembravam que ainda estávamos na China, por exemplo as lanternas chinesas e o povo chinês (fazendo chinezices)!!
Fomos ver o marco da cidade que são as Ruínas de São Paulo, onde antes existia uma igreja que foi destruída por um incêndio, e só o que sobrou foi a frente. Bem bonita por sinal! Tiramos umas fotos e fomos procurar onde comer. Olhamos o cardápio dos poucos restaurantes que tinha por perto e era tudo caro, só nos restou uma opção: Mc Donalds... Detalhe: lá no Mc comemos milho no potinho com manteiga, como os de ambulantes no Brasil, só que bem menos gostoso!
No dia seguinte fomos na padaria tomar café da manha, ou deveria dizer "pequeno almoço" como em Portugal?!!! Depois de mais de 2 anos sem ir numa padaria, fizemos a festa! Passamos o dia conhecendo os pontos turísticos da cidade, como a Praça da Sé, outras igrejas católicas, um forte com seus canhões e voltamos nas Ruínas de São Paulo pra fotos de dia. Lá tambem vimos um mausoléu com os ossos de religiosos que haviam sido enterrados no cemitério junto a igreja, que nao existia mais. E vimos tbm um pequeno museu de arte sacra, que nos surpreendeu com quadros muito interessantes!
Acho que o melhor momento do dia foi o almoço! Encontramos por acaso um restaurantinho brasileiro numa viela. Entramos e já conhecemos os outros brasileiros que estavam lá. A comida estava excelente! Arroz, feijão, file de frango, file de peixe pra Ane, e salada. Tudo com tempero bem brasileiro! Depois conhecemos a cozinheira, Maria, que achou nossa viagem um horror, coisa de doido e ate ganhamos um abraço na hora de ir embora! Nos sentimos em casa, depois de quase 3 anos longe!!
Continuamos passeando, e durante o dia todo ficamos tentando ouvir algum morador local falar português, ate perguntamos nas lojas pra alguns se eles falavam português, mas nenhum falava. A cozinheira Maria nos contou que os Macaleses ainda sabem falar português, mas nao gostam pq são muito orgulhosos do idioma deles. Tudo bem, tbm imagina o sotaque que eles teriam!! Portuga com chines, kkkk!!
A noite o restaurante brasileiro estava fechado, então fomos comer uma comida local. Chegamos no restaurante e tentamos achar um prato decente pra comer mas foi difícil. Ai nos lembramos que Macau parece Portugal, mas ainda é China, e a comida é estranha como a de lá.
No dia seguinte de manha, seguimos para o porto pra pegar a balsa para Hong Kong. Chegamos 1 hora antes do horário do nosso barco, e mesmo assim nos deixaram entrar no barco que já estava pra sair. Ótimo, economizamos meia hora esperando a próxima balsa.
A viagem foi bem tranqüila, por volta de uma hora. A Ane dormiu a maior parte porque estava começando a passar mal. Eu fui só ouvindo música e vendo as ilhas que passavam pela janela.
Chegando em Hong Kong, reparamos como é muito mais fácil chegar num pais onde já conhecemos as coisas, já sabemos como funcionam. Fomos almoçar perto do porto de Hong Kong, num shopping que já conhecíamos e depois do almoço seguimos para o aeroporto para esperar nosso vôo.
Depois de dois bons dia de vistas bonitas e comidas gostosas, outras nem tanto, só nos restava nos preparar pro próximo desafio: India!!!

Ultimas palavras sobre Macau: lugar muito interessante, bonito, limpo e CARO! Mas valeu a pena!


Renner & Ane Gimenes
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